A queda no favoritismo da presidente Dilma Rousseff com
vistas à reeleição em 2014 permanece na pauta política tão somente como
uma aposta futura da oposição, mas a cada dia alimentada por fatores que
têm merecido a preocupação dos estrategistas do governo. Ao desarranjo
da economia, que se espera temporário, soma-se a crise na base aliada
deflagrada pela antecipação da campanha, com reflexos na aliança
nacional.
O que explica parte das turbulências produzidas pela base aliada no
Congresso, especialmente pelo PMDB, decidido a preservar seu patrimônio
eleitoral. Nesse contexto, o alvo é menos Dilma e mais o PT, com o qual
disputa o apoio presidencial nos palanques regionais.
A pressão do PMDB , pelo menos por ora, não deve ser lida como um
roteiro para a ruptura, mas como uma cobrança à presidente pelo fim do
que o partido considera um comportamento de favorecimento ao rival na
aliança, sintetizado no estímulo a candidaturas concorrentes e na
liberação seletiva de emendas, instrumento caro aos parlamentares para
exibir realizações em suas bases eleitorais.
A presidente parece ter entendido o recado, embora não tenha
permitido que o partido lhe imponha um "script" de como agir. Sinais
claros nesse sentido foram a admissão de reunião exclusiva com a cúpula
do PMDB, sem outras testemunhas, para ouvir diretamente suas queixas, em
contraste com os vetos que se seguiram a trechos da MP dos Portos que
contrariam interesses do partido.
Os problemas da presidente, porém, não se esgotam na relação com a
base e nem estão restritos à questão econômica. O que assombra também a
candidata Dilma são fantasmas que já se apresentaram na eleição de 2010,
com bandeiras representativas de questões cuja postergação pelo Estado
brasileiro encontrou seu limite exatamente em seu mandato. São temas
como o aborto, casamento gay, a disputa entre índios e produtores, com
forte vínculo religioso a desafiar o enfrentamento da laicidade do
Estado.
A antecipação da campanha precipita também o debate dessas questões,
de forte potencial de desgaste ao menor equívoco no seu tratamento. Em
princípio, a linha menos arriscada - e mais saudável institucionalmente -
é a legalista, do Estado laico, cujo ônus é o confronto com os
segmentos religiosos de imensa influência num eleitorado
majoritariamente conservador.
O drama do debate deve ser do Congresso - que a ele se furta,
igualmente, há anos - com a arbitragem do Poder Judiciário. Mas ainda
assim, a opção por essa linha não evita a cobrança pela posição pessoal
dos candidatos em relação a cada tema e nem sua exploração pelos
Felicianos de plantão.
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